Não quero que um dia, entres num bar imaginário para beber, só para esqueceres o que não fizestes. Não quero. Que o vazio, seja a tua referência, a realidade, com a qual vais ter de te haver mais tarde. E que fiques algemado à ideia, de que a vida passou por ti sem te cumprimentar, e te roubou o ânimo, com intuito de não to devolver. Não quero. Que na tua história, morras todos os dias devagarinho, porque a vida, sorrateira, só consome o que a alimenta. Os absurdos, incoerências, esquecimentos, dúvidas, assim como os lapsos, fazem parte do caminho. Agora, abre a porta à surpresa, manda-a entrar. Acorda a estranheza do viver, brinca com a realidade, agarra partes aqui e acolá, para compores um sonho. Traz para dentro o que está lá fora. Só quero que saibas, que o que te falta, também pode ser da minha conta. Agora deita-te no meu colo e fecha os olhos, para podermos pensar noutras coisas.
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